Capítulo Primeiro: Atravessando teu corpo, meu coração

Akademi Dewa: Hitung, Hitung, Hitung Sebuah Mimpi di Alam Raya 4531kata 2026-03-11 06:45:39

        Cidade de Juxia, Avenida do Aeroporto.

        Se fosse preciso descrever o estado de espírito de Wang Yan naquele momento, seria como se todo o seu corpo estivesse coberto por uma legião de cães da raça Teddy.

        Incontáveis balas perdidas zumbiam ao seu redor, estojos de munição incandescentes caíam ao chão e ricocheteavam em seu rosto, queimando-o com tal ardor que apenas algumas lágrimas se dignaram a escapar de seus olhos.

        Ainda assim, permanecia prostrado, imóvel.

        Seu rosto, provavelmente, já estava desfigurado.

        Talvez assado.

        Em plena era de paz, na grande cidade de Juxia, qual deusa poderia me explicar o que está acontecendo?

        Saiu de casa para uma simples viagem de trabalho e, do nada, a guerra despencou sobre ele.

        Campo de batalha, tiros, veículos militares, soldados de elite.

        Balas perdidas, pedras fragmentadas, trincheiras, estradas em ruínas.

        Wang Yan, com o rosto colado ao chão, o corpo instintivamente abrigado atrás de um soldado das forças especiais.

        Ele suportava tudo isso, mas o monstro diante de seus olhos ultrapassava qualquer compreensão.

        Que criatura era aquela?

        Um grande mecha, um Gundam?

        Afinal, Marvel não me enganou à toa!

        Aquele gigante estava envolto em uma armadura metálica prateada, salpicada por faixas reluzentes de azul.

        Uma aura de tecnologia futurista emanava de cada centímetro!

        O colosso era imenso; Wang Yan, de relance, estimava-o com altura equivalente a dois andares.

        Atrás, alas metálicas proporcionais ao seu tamanho.

        Não sabia qual princípio permitia tal façanha, mas as asas não batiam; o mecha movia-se com agilidade, voando e saltando sem um traço de torpeza.

        Ao contrário, era surpreendentemente ágil.

        Sua defesa, então, era extraordinária: balas e projéteis de todos os calibres não lhe causavam sequer um arranhão.

        Era claro que o pelotão de forças especiais, que o salvara, nada podia contra aquilo.

        Incompreensível, incompreensível.

        Wang Yan, impotente, permanecia debruçado.

        A frustração do civil manifestava-se, na guerra, em toda sua crueza.

        Era apenas um peso morto, nem sequer teve tempo para evacuar.

        Se os grandes sucumbirem, ele também estará acabado.

        Wang Yan começou a rememorar sua breve existência.

        Órfão, lutou, batalhou, viveu do próprio esforço.

        Até hoje, tudo se esvaiu.

        Não se arrependia de ter assumido a tarefa daquela negociação, nem de ter decidido partir um dia antes.

        O infortúnio, o acaso, ultrapassaram sua compreensão.

        Sentia-se, paradoxalmente, afortunado por ter sido salvo pelo soldado.

        Infeliz era o motorista que o acompanhava, e os demais que sucumbiram naquela estrada.

        Os carros de polícia, destroçados e fumegantes.

        As poças de sangue escuro.

        O mecha começou a se irritar.

        Antes, claramente, estava apenas brincando—até Wang Yan, mero civil, percebera isso.

        O mecha possuía uma força destrutiva incomparável, capaz de disparar rajadas de energia vermelha explosiva e uma arma transparente de poder ainda maior.

        Até então, disparara apenas algumas vezes.

        O campo de batalha abria-se em crateras colossais.

        Do outro lado do cerco, os soldados já contabilizavam grandes perdas.

        Agora, a fase de testes do mecha chegara ao fim.

        “Solicitamos apoio! Aqui é o Batalhão Especial Lobo Azul, operando com o 217º regimento! Precisamos de reforço! Precisamos de reforço! As armas disponíveis não causam nenhum dano ao monstro!”—o comandante rugia ao rádio.

        Não havia solução: canhões de tanque, metralhadoras de helicóptero, armas antiblindadas de alto calibre, tudo fora empregado.

        Sem efeito!

        Arranhar a pintura do mecha era o máximo que conseguiam.

        Do outro lado do rádio, algo era dito, mas Wang Yan já não podia ouvir.

        Nesse instante, o som súbito de sirenes se fez ouvir; Wang Yan, curioso, olhou para trás.

        “Grrrr... screech…”

        Uma viatura policial parou a uns vinte metros.

        O repórter de guerra Wang Yan sacudiu a cabeça, suspirando: “De que adianta?”

        Sim, nem os soldados de elite com armamento completo davam conta; que poderiam fazer os policiais?

        Dois oficiais saltaram rapidamente do carro.

        “Agente Qilin, distrito Feiliu, Wang Yuan, estamos entrando em ação!”—disse ela, olhando fixamente para o mecha.

        Ora, uma policial bela e altiva!

        O suor escorria pelas pálpebras, embaçando a visão de Wang Yan.

        Linda! Alta! Imponente!

        Pena que, de nada adiantaria.

        Além disso, ali parados, seriam apenas alvos fáceis.

        Não seria melhor, como eu, deitar-se e ficar protegido?

        Enfim, Wang Yan resmungava por hábito; de todo modo, era mais útil do que ele.

        Mas ficar parado ali não era solução.

        Talvez estivessem atônitos diante do monstro?

        O experiente repórter de guerra Wang Yan já concluía: “Esses dois não vão dar conta.”

        Então, acenou solícito: “Abriguem-se, abriguem-se!”

        O senso de protagonista era forte!

        Como um dos primeiros civis inúteis a adentrar o campo de batalha, precisava cumprir um papel.

        Já não eram os primeiros policiais a chegar, mas sua contribuição era mínima.

        Os dois não desprezaram a boa vontade de Wang Yan; despertando do torpor, rapidamente se refugiaram atrás da trincheira.

        A policial agradeceu com um olhar.

        O civil, modesto: “Um efeito limitado.”

        “Rato, mande-os de volta! Diga-lhes que não precisamos de mais carne de canhão! Esta não é uma guerra para armas convencionais! Só aumentarão as baixas, mandem-nos de volta! Rápido!”—rugiu o comandante especial.

        Sem olhar, continuava a comandar o combate.

        Não podia perder tempo com eles; aquelas pistolas nada fariam!

        Na verdade, travar combate era apenas retardar o inevitável, sacrificar vidas em vão.

        Três ou cinco homens pereciam por cada rajada vermelha, uma dúzia por cada disparo transparente.

        Tanques, veículos, helicópteros, todos à mercê do inimigo.

        A guerra prosseguia, e os sacrifícios também.

        Vendo seus valorosos soldados tombarem inutilmente, as lágrimas do comandante misturavam-se ao suor e ao sangue.

        Um fragmento de ferro voou e rasgou-lhe o braço esquerdo, mas nada disse.

        Ferimento menor, ali era insignificante.

        “Sim, senhor!”

        Rato, o soldado diante de Wang Yan, recebeu a ordem.

        Voltando-se ao policial, disse: “Peço que os senhores evacuem o campo de batalha, e comuniquem a seus superiores que não é mais necessário o apoio policial.”

        Olhou ainda para Wang Yan: “Além disso, levem este jovem consigo; aqui é perigoso demais.”

        O civil inútil agradeceu com fervor!!!

        Qilin protestou: “Nós também podemos…”

        O policial a cortou: “Qilin! Siga as ordens! Qual é nossa missão?”

        “Sim, senhor! Isolar o público, proteger o povo.”—respondeu ela com firmeza.

        O civil, consciente: “O povo sou eu, então!”

        Wang Yan ergueu-se, seguindo os policiais.

        Como peso morto, era preciso ter noção; obedecer sem questionar, não disputar protagonismo.

        O campo de batalha era dos grandes; civis, calem-se.

        Sem trocar palavras, os dois conduziram Wang Yan até a viatura.

        “Mas eu queria atirar…”—Wang Yan ouviu o murmúrio da policial.

        Deixe disso, moça!

        Em poucos minutos, já dispararam quase uma tonelada de projéteis; aquele monstro sequer os nota!

        “Tsc!”

        “Tsc o quê?”—a voz era ríspida.

        “Você consegue ouvir?”

        Com o estrondo das armas, impossível captar tal murmúrio!

        “Uh…”

        “Uh o quê?”

        Wang Yan sentiu-se intimidado, especialmente fora do seu ambiente.

        Olhou discretamente para o traseiro dela.

        A saia era bonita, as pernas… bem, cof, cof.

        “Vamos, Qilin, gosta tanto de atirar? Vá praticar no estande, agora leve o jovem de volta.”—o policial já ocupava o banco do motorista.

        “Atirar fora do campo de batalha exige relatório!”

        Wang Yan assentiu; aquele era sensato.

        Apresse-se!

        Qilin, contrariada, sacou a pistola e apontou, como se mirasse os olhos vermelhos do mecha.

        Nem ativara a trava de segurança.

        “biu~ biubiubiu~”

        O cidadão solícito não perdeu a ocasião.

        A policial lançou-lhe um olhar de desprezo.

        ……

        Quando Sifeng aceitou pela primeira vez aquela missão de reconhecimento, recusou-se.

        Afinal, não poderia simplesmente obedecer; era preciso testar antes.

        E ao testar—ah, que surpresa.

        Corpos de Shenhe, civilização pré-nuclear.

        Ao menor toque, sangravam em rubro!

        Moles, frágeis.

        Esmagar seus corpos excitava até o ferro de seu próprio corpo.

        Olhe para essas armas antigas—tanques, tudo sucata.

        Nada podia afetar-lhe!

        Perfeito; Fenglei designara tal tarefa a ele, animal!

        Antes, até desprezava Fenglei e Xionglu, mas que ingratidão!

        Adorava esmagar corpos de Shenhe, sentia prazer na destruição!

        Especialmente quando o odiavam, mas não conseguiam vencê-lo! Hahahahaha!

        Com a mão esquerda, disparava energia; com a direita, um canhão; alternava os golpes.

        O comandante Lobo Azul, estupefato: “Esse mecha, embora mate, parece dançar!”

        Que era aquilo? Ritual tribal?

        Sifeng, cada vez mais empolgado, às vezes abandonava armas à distância para lutar corpo a corpo com tanques.

        Quase esquecera sua missão.

        O que deveria investigar mesmo? Ah, super soldados.

        Investigar se a Terra tinha super soldados.

        ……

        O cérebro simples de Sifeng quase desprezava: civilização pré-nuclear teria super soldados? Fenglei era mesmo tolo!

        Do outro lado,

        O comandante Lobo Azul, em sofrimento, sacrificara duzentos, trezentos soldados—apenas brinquedos de carne para o inimigo!

        Ele sabia, aquele mundo…

        Mudara!

        Chefe, onde está o apoio de superpoderes que prometeu?

        Por que ainda não chegou?

        O mais poderoso comandante de elite da Terra sentia-se desesperado!

        Mas!

        Sobretudo, não permitiriam que o monstro deixasse o campo de batalha e invadisse a cidade.

        Lá, milhões de civis.

        Era seu dever!

        Defender a nação, proteger o povo!

        Sifeng ainda dançava animadamente; parecia não haver corpos de Shenhe capazes de detê-lo na Terra.

        De repente!

        Sentiu um calafrio; hmm?

        O mecha parou, seus olhos vermelhos voltaram-se para o local do perigo.

        Uma bela Shenhe, uma beleza que, mesmo no vasto universo, era notável.

        Uma pequena pistola?

        Não, nada de especial, uma relíquia.

        Super soldado!

        O cérebro simples de Sifeng, de circuito curto.

        Ergueu o braço, pronto para disparar energia!

        Ao mesmo tempo, o comandante Lobo Azul percebeu o alvo: a policial! E o jovem!

        “Fujam!”—embora pudesse ser inútil, gritou desesperadamente.

        Qilin e Wang Yan quase estavam de volta ao carro, mas olharam, incrédulos, para o cano da arma que se preparava a disparar!

        Naquele instante, o tempo pareceu congelar.

        O momento se estendeu, Wang Yan revisitou toda a sua vida.

        Tão longo que pôde admirar o chapéu de Qilin com o distintivo, o rosto delicado, os lábios rubros.

        Tão longo que Wang Yan refletiu sobre sua lascívia e impotência.

        Tão longo que ponderou se era desejo ou amor à primeira vista,

        E então

        Colocou-se à frente dela.

        Assim

        Ela sobreviveria!

        Sim, sobreviveria!

        Wang Yan prestes a fechar os olhos—

        No instante seguinte, o mundo girou, seus braços foram agarrados com força, e trocaram de posição!

        Ela ficou à frente!

        Bravo!

        Policial é policial! Não permitiu nem um momento de heroísmo.

        Na verdade, Wang Yan acabara de lembrar: aquele disparo atravessaria ambos!

        Os olhos da policial estavam cheios de determinação!

        Herói salva a donzela?

        Sonhe!

        Ela não quer saber de romance!

        Wang Yan, resignado, viu que, no segundo antes de ser atravessado, uma luz dourada surgiu no céu.

        Radiante!

        A dor excruciante!

        Com o último fio de força, abraçou a policial.

        Perfumada!!!

        Nesta vida, valeu a pena!

        Policial: Não consigo me livrar, que irritante!

        A escuridão envolveu tudo…

        “Detectada energia sanguínea anômala”

        “Detectado supergene—atirador de guerra supremo”

        “Analisando, insuficiência de processamento, análise impossível…”

        ……

        “Detectados dados da primeira geração de super soldados”

        “Analisando…”

        “Análise concluída”

        “Coletando dados”

        “Fazendo backup”

        “Backup concluído”