Capítulo 1 Não se preocupe demais

Pemetik Mayat dalam Dunia Keajaiban Conan Perahu Abadi 1986kata 2026-03-11 06:45:12

Jiang Xia deteve-se na esquina do beco, afastando suavemente com o pé uma folha seca que o vento fizera rolar até ali, e fixou o olhar numa pegada semi-seca impressa no solo lamacento.

Havia acabado de chover; ao que tudo indicava, o dono daquela marca viera diretamente do terreno enlameado do quarteirão 3-chome, trazendo consigo o barro grudado nos sapatos, cuja impressão permanecia ali, nítida e completa.

Pela dimensão, um pé de aproximadamente quarenta e três, o que, convertido na numeração usual do arquipélago, corresponderia ao 265. O sulco do solado mostrava um padrão em espiral, antiderrapante, com as bordas já gastas pelo uso.

Adiante, outras marcas semelhantes continuavam o rastro.

Jiang Xia seguiu, sem pressa, as pegadas úmidas, enquanto nos fones que lhe pendiam à face ecoava a voz gélida de uma mulher: “... Usava um boné preto, as pontas do cabelo tingidas de vermelho, uma cicatriz de queimadura no dorso da mão direita, junto ao polegar, e era cerca de meia cabeça mais alto que eu.”

Após breve pausa, como se recordasse de um detalhe, Miyano Shiho completou: “Tenho um metro e setenta, contando com os sapatos...” Ela parou por um instante, baixou os olhos para conferir o salto. “Cerca de um metro e setenta e três.”

A precisão do olhar era notável, e o tom de voz permanecia calmo e inabalável... nada que fizesse supor tratar-se de alguém que acabara de ter a bolsa furtada e fora atirada ao chão, vítima de um infortúnio repentino.

“Entendi.” Jiang Xia já conhecia bem a índole dos frequentadores daquelas redondezas; ao ouvir sobre o cabelo tingido de vermelho e a cicatriz, logo delimitou o suspeito—Yamada Tomo, o delinquente cuja mera presença bastava para elevar o índice de criminalidade de todo o bairro.

Ele calculou a distância: “A bolsa deve ser recuperada em breve. Não demorará. Dê-me cinco minutos.”

Miyano Shiho respondeu apenas com um “hm”. Hesitou, querendo talvez acrescentar um “tome cuidado”. Contudo, ao abrir a boca, percebeu que a ligação já fora encerrada; o tom breve—“tu, tu”—assinalou o retorno do silêncio.

Jiang Xia, de ordinário, aguardava sempre que Gin ou outro superior desligasse primeiro; desta vez, porém... Embora pudesse justificar-se pela urgência do momento, Miyano Shiho não pôde evitar a sensação de que, na verdade, Jiang Xia não desejava ouvir-lhe a voz nem por um segundo a mais.

Permaneceu um instante contemplando a tela escura do telefone, antes de devolvê-lo a Gin—o seu próprio aparelho quebrara-se na queda.

Então, ao som do murmúrio de Vodka—“Da próxima vez, não permita que o guarda-costas se afaste tanto, eles estão ali para protegê-la, não para prejudicá-la...” —fechou os olhos, recostou-se preguiçosamente no banco do carro e deixou escapar um bocejo sonolento.

...

Jiang Xia retirou os fones, guardou-os no bolso, calçou um par de luvas finas e negras, e puxou sobre a cabeça o capuz da blusa.

Seguindo o emaranhado de ruas, dobrou por entre vielas até surgir, quase como um espectro, diante de um velho edifício de três andares.

A fachada, pintada de verde, era protegida por uma cerca de arame pouco acima do primeiro piso, e por uma porta de entrada, trancada e desgastada, que oferecia, à primeira vista, certa segurança.

Mas, na prática, só intimidaria cidadãos de conduta ilibada...

O olhar de Jiang Xia percorreu a fila de caixas de correio, e confirmou o número do apartamento do tal “cabelo vermelho”.

Apoiando-se na malha grossa do arame—tão amistosa aos intrusos—alçou-se ao segundo andar, e dali, num impulso ágil, saltou para o parapeito do terceiro, agarrando-se à grade com leveza; preparava-se para uma investida justa contra o meliante.

No outro mundo, chamava-se igualmente Jiang Xia.

Ao chegar a este, descobriu que seu novo corpo tinha nome semelhante—sobrenome “Jiang Xia”—mas, adaptando-se aos costumes locais, ganhara um nome próprio, formando o peculiar “Jiang Xia Tongzhi”, de ressonância nipónica, mas estranho ao ouvido atento.

O dono original daquele corpo, porém, não gozava de saúde mental estável.

Quando Jiang Xia ali chegara, encontrara-o com o pulso cortado, a vida por um fio, quase a esvair-se.

Em contrapartida, herdara-lhe um físico robusto, treinado, cuja força e agilidade superavam em muito as de um homem comum.

A isso, Jiang Xia devia algum consolo.

...

Por razões de segurança contra incêndios, era vedado fechar completamente as varandas dos apartamentos locais; a fileira de grades, com mais de um metro de altura, pouco servia como obstáculo aos invasores.

Apesar de um leve retardo nos movimentos da mão esquerda, Jiang Xia, com as habilidades aprimoradas que a lógica detetivesca deste mundo lhe conferia, transpunha o percurso em menos de cinco segundos, pousando suavemente na sacada do apartamento do ladrão.

No interior, o “cabelo vermelho” nada percebia de sua presença—sentado de costas, diante da televisão, ria-se de um programa de variedades, enquanto contava, barulhentamente, as notas que tirava da bolsa.

O volume da TV era alto. Jiang Xia, protegido pelo ruído, deslizou a porta de correr, avançou silencioso e—num golpe certeiro de mão—derrubou o adversário.

O riso estridente cessou abruptamente. O ladrão tombou.

O porta-moedas feminino PRADA que trazia no colo rolou ao chão.

No mundo anterior de Jiang Xia, um golpe de mão como aquele era questão de sorte—bem aplicado, desmaiava-se o alvo; mal executado, podia-se enviá-lo direto ao crematório.

Mas neste mundo, regido pela lógica peculiar dos quadrinhos, jamais se ouviu de mortes causadas por tal técnica; parecia até que todos traziam de fábrica um interruptor atrás do pescoço—bastava acertar, e vinham abaixo.

Desviando-se do corpo inerte do ladrão, Jiang Xia recolheu o dinheiro espalhado, recompôs tudo na carteira de Miyano Shiho, e partiu.

Ao cruzar a porta do edifício, consultou o relógio digital no pulso: 15:49:57.

Faltavam pouco mais de quarenta segundos para completar os cinco minutos prometidos a Miyano Shiho.

Para preencher a espera, Jiang Xia distraiu-se acariciando um gato de rua que passava, até que, ao soar exatos cinco minutos, o telefone vibrou.

No correio eletrônico, um endereço enviado por Gin aguardava; ao terminar de ler, a mensagem se autodestruiu, tal como a ligação recente—envolta em mistério, desaparecendo sem deixar rastro.

Aquele dirigente da organização era, sem dúvida, poderoso—mas exageradamente cauteloso...

Jiang Xia localizou o endereço, tomou a bolsa de Miyano Shiho, e pôs-se a caminho.

A Organização dos Homens de Preto—temida antagonista do mundo de Conan—deixava sempre, aos que dela tinham notícia, a impressão de mistério, ocultamento e crueldade implacável.

E, conforme percebeu Jiang Xia nesse tempo de convivência, tal impressão não se distanciava muito da verdade...

————————

A narrativa segue majoritariamente a linha do mangá de Conan.

Com algumas modificações, algumas liberdades, e mais algumas...